Rede de Notícias do Cinturão e Rota

BRNN>>Rede de Notícias do Cinturão e Rota

Robôs chineses devem cortar 30% de custos superando produtividade humana em obras no Brasil

11.09.2026 16h02 

Recentemente, em Minas Gerais, no sudeste do Brasil, uma nova geração de robôs capazes de pintar paredes, lixar superfícies, transportar materiais, medir ambientes e até trabalhar em fachadas começa a ser testada na área da construção civil. A espectativa é de que seu uso reduza em até 30% o custo da mão de obra e dobre a produtividade nos canteiros.

A tecnologia vem da empresa BrightMaster Robotics (BMR), de Shenzhen, um dos principais polos tecnológicos da China. No Brasil, o Grupo Minas Brisa terá representação exclusiva da fabricante. O grupo pretende testar os robôs nos próprios empreendimentos, comercializar as máquinas e também oferecer serviços de operação. O grupo pretende também ampliar a oferta para outras regiões do Brasil e alcaçar mercados latino-americanos, como Argentina e México.

Cada robô custa entre R$ 250 mil e R$ 1 milhão. Porém, dependendo da atividade, uma única máquina pode alcançar produtividade equivalente à de três ou quatro trabalhadores.

A chegada dessa tecnologia coloca a construção brasileira mais perto de um movimento que já avança em mercados asiáticos: automatizar tarefas físicas repetitivas dentro do canteiro de obras.

O desempenho real dos robôs dependerá do tipo de obra, da tarefa e da utilização de cada equipamento. Os robôs de logística, por exemplo, conseguem carregar até 420kg de materiais e percorrer rotas automatizadas até as frentes de trabalho, reduzindo a necessidade de deslocamentos manuais repetitivos dentro do canteiro.

A automação não fica concentrada numa única etapa, alguns robôs podem ser utilizados no nivelamento do concreto, outros na limpeza, realizando varrição, aspiração contínua, controle de poeira e descarte automático do material recolhido.

Há também robôs para aplicação de primer e tinta em paredes, tetos e sancas, com controle automatizado do processo, capaz de realizar deslocamento vertical e executar a pintura externa de maneira automatizada.

Os trabalhadores já não precisarão realizar tarefas que exigem movimentos repetitivos ou atuar em áreas elevadas, podendo assumir funções de supervisão, programação e controle da operação, segundo a proposta defendida pelo Grupo Minas Brisa.

Com o robô que mede ambientes em 3D a até 400 metros as equipes conseguem comparar medidas e identificar diferenças durante a execução. Essa capacidade aproxima o canteiro de modelos cada vez mais digitais de engenharia.

Um dos principais obstáculos para a automação é o preço. Os robôs custam entre R$ 250 mil e R$ 1 milhão. No entanto, o Grupo Minas Brasa avalia que é possível recuperar o valor investido após a execução de aproximadamente 10 mil metros quadrados de obra.

A companhia pretende lançar R$ 5 bilhões em produtos imobiliários nos próximos cinco anos e espera que a automação passe a representar uma parcela relevante do negócio.

A empresa destaca que a segurança dos trabalhadores é tão importante quanto a produtividade e o custo.

Canteiros possuem atividades que envolvem poeira, carga elevada, movimentos repetitivos e trabalho em altura. Por isso, colocar robôs em parte dessas tarefas pode reduzir a exposição humana a determinadas situações de risco.

De acordo com o Grupo Minas Brisa, o trabalho humano não será completamente eliminado. O papel do profissional passará por mudanças, transferindo parte do esforço físico repetitivo para as máquinas e ampliando funções de supervisão e inteligência.

A chegada dos robôs coloca um setor tradicional diante de uma mudança importante. Uma única máquina pode custar até R$ 1 milhão. Porém, determinadas unidades prometem produtividade equivalente à de três ou quatro trabalhadores.

Caso os resultados dos testes realizados pelo Grupo Minas Brasa confirmem as projeções, tarefas como pintar, lixar, medir, limpar, transportar centenas de quilos e nivelar concreto poderão deixar de depender apenas do trabalho manual. E a construção brasileira poderá entrar em uma fase na qual robôs de centenas de milhares de reais dividem o canteiro com engenheiros, mestres de obras e operários.