Rede de Notícias do Cinturão e Rota

BRNN>>Rede de Notícias do Cinturão e Rota

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal destaca solidez e potencial de cooperação nas relações com a China

27.03.2025 15h52 

Por Zhang Rong

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, está realizando uma visita à China, de 24 a 28 de março, a convite de Wang Yi, membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China e ministro das Relações Exteriores.

Paulo Rangel, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, visita a Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing e reúne-se com o reitor da Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing, Jia Wenjian, em 25 de março. (Foto: Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing)

Na tarde do dia 26, Rangel visitou a Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing, onde proferiu uma palestra sobre a língua e a cultura portuguesas. Jia Wenjian, reitor da universidade, e o vice-reitor Zhao Gang, receberam a delegação de Rangel. Cerca de cem professores e alunos dos cursos de português assistiram à palestra.

Em entrevista ao Diário do Povo Online, Rangel destacou o estado das relações bilaterais entre Portugal e a China, depois do encontro com o ministro Wang Yi, sublinhando que "São relações muito boas. São, por um lado, relações muito antigas, e que nestes últimos 45 anos tiveram um desenvolvimento, um aprofundamento extraordinário".

Rangel enfatizou que esta proximidade foi particularmente visível aquando da transferência da administração de Macau para a China, em 1999, seguida do estabelecimento da Parceria Estratégica Portugal-China.

Durante a reunião, foram abordados temas diversos, incluindo economia, intercâmbio cultural e a presença portuguesa em Macau e na Grande Área da Baía. "Falamos muito da presença portuguesa em Macau e em toda a região envolvente de Macau, e agora com o projeto da Grande Área da Baía Guangdong-Hong Kong-Macau", afirmou Rangel, salientando ainda o papel estratégico de Macau como plataforma para o diálogo entre a China e os países de língua portuguesa.

Relativamente à economia, Rangel frisou o potencial de cooperação no âmbito da Parceria Azul, estabelecida em 2017, e a importância da economia oceânica para ambos os países. "Há imensas oportunidades na área dos oceanos. É uma área à qual Portugal se tem dedicado muito", referiu, lembrando a realização da próxima Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos 2025 em Nice, na França.

Para o ministro português, a economia azul deve estar intrinsecamente ligada à sustentabilidade: "A economia azul tem de ser uma economia verde também", frisou, defendendo o uso de tecnologias limpas para reduzir os fatores de carbonização.

Paulo Rangel, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, visita a Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing e deixa uma mensagem escrita para os estudantes, em 25 de março. (Foto: Zhang Rong/Diário do Povo Online)

Rangel mencionou também a necessidade de aprofundar o intercâmbio cultural e interpessoal entre os dois países, especialmente no que concerne ao ensino das línguas. "É preciso incentivar o ensino do chinês em Portugal... mas precisamos de mais, e também precisamos de mais língua portuguesa na China", afirmou, aludindo ao crescente número de traduções de autores portugueses na China e de autores chineses em Portugal, destacando que "isto também é muito importante para conhecer a cultura".

O fortalecimento dos laços culturais tem saído reforçado com iniciativas como a exposição do arquivo do arquiteto português Álvaro Siza Vieira em Shanghai, assinalando os 30 anos de geminação entre a cidade do Porto e Shanghai.

"A Escola do Porto tem dois prémios Pritzker em 10 anos, o que é uma coisa extraordinária como escola de arquitetura, demonstrando as conquistas de Portugal no setor", observou.

O vinho português, um dos produtos em destaque na pauta das exportações lusas pela sua qualidade e valor cultural, foi também alvo de menção durante a entrevista. "Está a haver uma mostra aqui, agora, na China, precisamente neste momento em que falamos, também de vinhos portugueses, que, de facto, são vinhos muito bons e são grandes embaixadores da cultura portuguesa, porque eles representam economia, representam cultura, representam tradição e, claro, representam também prazer e uma boa disposição para todos aqueles que o bebem", referiu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros concluiu reforçando a importância do fortalecimento contínuo das relações bilaterais e do aprofundamento da visão multilateral partilhada por Portugal e China. "Acreditamos no multilateralismo, defendemos o multilateralismo e defendemos, naturalmente, as Nações Unidas".