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Lula afirma que o Brasil responderá ao aumento de tarifas dos EUA com um plano de contingência

06.08.2025 13h03 

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, realizada nesta terça-feira, que o Brasil responderá ao aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos com um plano de contingência e, eventualmente, com uma ação formal perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na véspera do início da validade das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, Lula enfatizou que "o compromisso do governo é com o povo brasileiro. Implementaremos um plano de contingência para mitigar esse ataque injusto e amenizar seus danos econômicos e sociais", disse ele.

"Protegeremos os trabalhadores e as empresas brasileiras afetadas por essas medidas e recorreremos a todos os mecanismos disponíveis, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC), para defender nossos interesses", declarou Lula perante líderes empresariais, sindicalistas, representantes do setor agrícola e membros da sociedade civil, que prestam assessoramento ao Palácio do Planalto na criação de políticas públicas voltadas para diversos setores.

O presidente reiterou que o país não saiu da mesa de negociações e relembrou as conversas mantidas com autoridades norte-americanas desde março. "O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo e à negociação com todos os países", afirmou.

Lula garantiu que o governo vai preservar a soberania do país diante das ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Justiça e a democracia brasileiras. "Proteger a nossa soberania é um objetivo que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo não transigirá. E não vacilará em seu dever de preservá-la. Não há justificativa para as medidas unilaterais contra o nosso país", destacou.

O tarifaço foi o assunto principal do evento realizado no Palácio do Itamaraty. Uma das novas conselheiras do comitê gestor do 'Conselhão', a atriz Dira Paes, fez a leitura de um documento chamado "Manifesto em Defesa da Soberania".

"Mantemos, por mais de dois séculos, uma relação de respeito e cooperação com os Estados Unidos da América. Reafirmamos a defesa da nossa soberania e das nossas instituições democráticas, incluindo o Poder Judiciário e o Supremo Tribunal Federal. Aproveitamos para reafirmar, também, a total disposição para tentar contribuir com as negociações comerciais respeitosas entre nossos países. E que possamos fortalecer ambas as economias", afirmou o documento.

Durante seu discurso, Lula destacou também o processo de aproximação internacional do Brasil nos últimos dois anos e meio.

Segundo o presidente, o país conseguiu abrir 398 novos mercados para produtos agrícolas, firmou acordos de livre comércio e fortaleceu alianças estratégicas com diversos países, consolidando sua posição como ator relevante no cenário global.

A resposta diplomática formal do Brasil ao aumento de tarifas será apresentada em 18 de agosto, quando o Itamaraty deverá apresentar um pedido à OMC para contestar as medidas adotadas por Washington.