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Montadoras chinesas conquistam espaço em todo mundo

17.04.2026 13h47 

As montadoras chinesas avançaram nos principais mercados internacionais, um feito impulsionado principalmente por seus avanços em veículos de nova energia, remodelando a indústria automobilística global.

O Salão Internacional do Automóvel de Bangkok de 2026, que terminou em 5 de abril, foi uma demonstração vívida desse momento. O evento garantiu 132.951 encomendas de carros, um recorde na história do salão, com os veículos elétricos representando mais de 70%.

As marcas chinesas superaram as japonesas em número total de encomendas pela primeira vez, encerrando o domínio de décadas do Japão no mercado do Sudeste Asiático. Entre as 10 principais marcas, sete eram chinesas. Entre elas, estavam a BYD, que conquistou o primeiro lugar, e Chery, MG, Changan, Geely, Great Wall Motor e Aion da GAC.

As marcas japonesas contaram apenas com Toyota e Honda entre as dez primeiras, com Suzuki e Subaru ficando de fora da lista.

Zhang Yale, diretor administrativo da consultoria Automotive Foresight, com sede em Shanghai, afirmou que as marcas chinesas deixaram a concorrência muito para trás nos campos da eletrificação e das tecnologias inteligentes. Mesmo no Sudeste Asiático, reduto japonês por 40 a 50 anos, as marcas chinesas conseguem se destacar.

Dados indicam que marcas japonesas, incluindo Toyota, Honda e Mitsubishi, já detiveram mais de 90% do mercado em países como Tailândia e Indonésia.

"As montadoras japonesas realmente ficaram para trás na eletrificação; não por falta de vontade, mas por um ritmo lento de transformação", disse Zhang. Ele acrescentou que elas estão aproveitando a cadeia de suprimentos da China para lançar e testar modelos de veículos de nova energia (NEV) no mercado, esforços que já renderam alguns resultados, mas o sucesso global é incerto.

Dados da Federação das Indústrias Tailandesas revelam que as vendas de veículos totalmente elétricos na Tailândia atingiram 120.000 unidades em 2025 - um aumento anual de cerca de 80% - sendo que os veículos elétricos de marcas chinesas representaram mais de 80% desse total.

A produção local é um fator-chave para o sucesso das montadoras chinesas na Tailândia. Sete montadoras chinesas, incluindo BYD, Aion e GWM, construíram fábricas no país, com investimentos totais superiores a US$ 3 bilhões. Essas instalações as ajudam a evitar tarifas de importação, reduzir custos logísticos e permitir uma resposta mais rápida ao mercado.

"A Tailândia, enquanto centro regional, pode servir como base de produção para veículos com volante à direita", disse Zhang. Após atingir 40% ou 60% de nacionalização, os veículos podem ser exportados para os outros 10 países da ASEAN sem tarifas, e também vendidos para mercados com volante à direita, como Oceania e Reino Unido, com tarifas zero ou baixas.

Jaturont Komolmis, vice-presidente do Salão Internacional do Automóvel de Bangkok, afirmou que as marcas chinesas oferecem aos consumidores tailandeses uma gama mais ampla de opções acessíveis e de vanguarda. Ao mesmo tempo, a China tem investido continuamente na cadeia produtiva de veículos de nova energia (NEV) na Tailândia, e os produtos relacionados têm sido adotados por empresas locais, contribuindo para a redução dos custos de eletricidade e promovendo o desenvolvimento sustentável.

Além do Sudeste Asiático, o mercado europeu — conhecido por seus rigorosos padrões técnicos e consumo consolidado — tem testemunhado um crescimento exponencial dos NEVs chineses.

De acordo com um relatório recente da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (EAMA), o número de veículos importados da China pela União Europeia aumentou 30,7% em 2025, ultrapassando a marca de 1 milhão pela primeira vez. A participação de veículos fabricados na China na região aumentou de 5% em 2022 para 7% em 2025.

As vendas da BYD na Europa atingiram 187.000 unidades em 2025, um aumento de 268,6% em relação ao ano anterior, tornando-a a montadora de crescimento mais rápido na região.

Em março, a Leapmotor liderou o mercado italiano de veículos elétricos a bateria (BEV) com 5.513 unidades registradas, um aumento de 28 vezes superior em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre, registrou 11.637 unidades, conquistando 33,5% do mercado de BEV e 44,6% das vendas no varejo de BEV.

Comparados aos modelos BEV de montadoras europeias, os chineses têm uma clara vantagem em tecnologia e configuração. Mesmo com as tarifas, eles mantêm uma vantagem de preço, afirmou Zhang.

As montadoras chinesas são muito disciplinadas em relação aos preços locais — igualando ou até mesmo reduzindo ligeiramente os preços dos modelos locais — o que não só garante lucros para fabricantes e concessionárias, como também evita perturbar a concorrência no mercado interno, acrescentou Zhang.

De acordo com a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis, a China exportou 7,1 milhões de veículos em 2025, um aumento de 21,1% em relação ao ano anterior. Em 2026, as exportações deverão atingir 7,4 milhões de veículos, um crescimento de 4,3%, enquanto a projeção é de um crescimento total de apenas 1% em relação ao ano anterior.

Zhang afirmou que o mercado interno está sob pressão devido a uma forte redução nos subsídios para troca de carros neste ano. O mercado externo é a "salvação" das montadoras chinesas, sendo de onde provém o único crescimento.

Os principais destinos de exportação de automóveis da China incluem a América Latina, o Oriente Médio, a Europa e o Sudeste Asiático.

Zhang afirmou que o Oriente Médio é a maior variável este ano. Se os conflitos geopolíticos persistirem, esse mercado de milhões de unidades poderá sofrer uma queda, e resta saber se outros mercados globais conseguirão compensar.

Por exemplo, países com produção nacional — como o México, que impôs uma tarifa de 50% sobre carros chineses a partir de 2026 — podem registrar queda nas exportações. Enquanto isso, nações como a Austrália, sem montadoras locais, permanecem abertas. Espera-se que os carros chineses conquistem de 25% a 30% do mercado australiano este ano, disse Zhang.

Mudanças geopolíticas, alterações tarifárias e diferenças culturais são riscos incontroláveis na expansão internacional, afirmou Zhang. "Ao se expandirem para o exterior, as marcas chinesas devem manter a humildade e a cautela, assim como as empresas estrangeiras fizeram ao entrar na China há duas ou três décadas."

Estabelecer joint ventures e parcerias com empresas ou concessionárias locais é uma forma eficaz de entender melhor os clientes locais e minimizar erros, acrescentou.